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Jô Soares experimentou a intolerância e violência política após entrevistar Dilma em 2016

Dilma estava sob intensos ataques, no auge do golpe que a tirou do poder. O humorista não se omitiu e deu voz à então presidente
Dilma Rousseff e Jô Soares (Foto: Reprodução/TV Globo | Reprodução/Facebook)
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 Um dos mais completos artistas e entrevistadores da história do Brasil, Jô Soares experimentou em 2016 a ascensão da intolerância e violência política no país após entrevistar a então presidente Dilma Rousseff (PT), que estava sob o auge dos ataques golpistas naquela época.
"Quando eu estava sob intenso ataque da mídia e dos adversários políticos, pouco antes do processo de impeachment, em abril de 2016, ele abriu seu programa para me entrevistar. Foi uma conversa respeitosa e muito importante. Jô foi a única voz dentro da Globo disposta a me ouvir naquele momento. E disso eu não me esqueço. Ele foi um democrata e era um artista de princípios", lembrou Dilma nesta sexta-feira (5) após o anúncio da morte de Jô.
De posições democráticas, Jô foi massacrado por abrir espaço à Dilma em seu programa. A calçada da residência do humorista em Higienópolis, São Paulo, foi pichada com uma ameaça de morte: "morra Jô Soares".
Sempre bem humorado, Jô rebateu: "ainda bem que não marcaram a data". Em outra edição de seu programa, ele disse que a ameaça o lembrava "os tempos da ditadura". "Eu morava numa vila, quando cheguei em casa, as luzes estavam apagadas, cortadas. E as paredes, banhadas de sangue, quer dizer, de tinta vermelha, mas era como fosse sangue".
Sobre a entrevista com Dilma, Jô afirmou ter cumprido seu papel, segundo a Folha de S. Paulo: "não era um debate. Era uma entrevista. Não cabia a mim rebater a presidente a cada momento. Eu fiz as perguntas que precisavam ser feitas. Agora, se as respostas não agradaram, o problema é de quem ouviu".

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