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Curso Superior continua sendo significante?

Dailton Moura Reis*

Iniciando com a minha experiência, tenho que narrar o que me levou a cursar Direito. Passei no vestibular da UESB, em Vitória da Conquista (distante 198 Km da minha cidade) com a então certeza que adentraria em uma nova área profissional. Explico: Iniciei no jornalismo impresso em 1986, permanecendo nas oficinas e redações por longos anos, até mesmo em jornal diário. E isso afirmo que foi sem arrependimentos, pois das gráficas, agência de propaganda e jornais retirei o meu suado sustento e criei meus três filhos.
Já no início dos anos 2.000 veio a notícia da expansão da Internet, com seus sites eletrônicos de notícias, que funcionavam em tempo real, tornando a demora tradicional de se imprimir e distribuir um jornal impresso, algo que o jogaria no abismo do desuso.
Com tal pavorosa perspectiva, passei a atuar em assessorias de imprensa de prefeituras e câmaras, tendo que passar por uma adaptação brusca na forma de escrever e informar.
Aos 40 anos resolvi mudar de profissão e encontrei, no Direito, uma maneira até idílica. Assim, não posso omitir o que me levou a cursar Direito, que era o número reduzido de advogados na minha localização. Passei no vestibular com a então certeza que adentraria em uma nova área profissional. Explico: Iniciei no jornalismo impresso em 1986, permanecendo nas oficinas e redações por longos anos, até mesmo em jornal diário. 
Já no início dos anos 2.000 caiu como uma bomba a notícia da expansão da Internet e seus sites eletrônicos de notícias, que funcionavam em tempo real, tornando a demora tradicional da impressão e distribuição de um jornal impresso, algo que o jogaria no abismo do desuso.
Com tal pavorosa perspectiva, passei a atuar em assessorias de imprensa de prefeituras e câmaras, tendo que passar por uma adaptação brusca na forma de escrever e informar.
Aos 40 anos resolvi mudar de profissão e encontrei, no Direito, uma maneira de reagir aos novos tempos, onde a tecnologia cria o desemprego estrutural (aquelas vagas que nunca mais voltam a ser oferecidas).
Analisando a cidade onde eu residia, notei que, em 2010, não havia mais do que 10 advogados. Em cinco anos, após o meu retorno, a sub-seccional já possuía 30 advogados inscritos. Na última vez que perguntei, na sede da OAB, sobreo novos inscritos, já ultrapassavam 58. E todos os trimestres continuam a ser entregues novas carteiras de advogado.
Duas leis das Ciências Econômicas conspiram sobre um estado de coisas que contenha tantos advogados: a primeira lei é a da Escassez, que tenta conscientizar que não existem recursos para todos e, portanto, alguns terão recursos e outros não; Já a segunda é a lei da oferta e da demanda. Nela, o valor dos produtos e serviços depende da quantidade de oferecimento e de quanto se está disposto a pagar por isso. Nesse sentido, com um excesso de advogados na cidade, é normal que os preços dos serviços caiam e que os clientes tenham uma maior gama de profissionais para escolher.
Como é natural que a maioria dos clientes não possua experiência prévia ou
Noção de que existem gradações de qualidade nos serviços oferecidos, acabarão, dessa maneira, optando pela oferta mais barata de serviço, muitas vezes não recebendo, mesmo pelo pouco, a resposta pela qual se pagou.
Finalmente e retornando à pergunta que dá título a esse pequeno artigo: Curso Superior Continua Sendo Relevante? Eu respondo que sim! Pois com todas as dificuldades encontradas, seja no jornalismo, seja no Direito. Quanto a mim, muitas vezes me imagino sem o diploma e o que estaria fazendo sem ter essas duas profissões.
Existe uma mudança já amplamente divulgada por escrito visionários dos anos 80, 90 e 2000, antecipando que o trabalho, tal como o conhecemos, iria sofrer graves modificações e que isso impactaria muitas profissões.
Sem bacharel, licenciado, tecnólogo, ainda é uma forma de destaque entre multidão de currículos que abarrotam as mesas dos chefes de seleção.
Aristóteles afirmou que: "As raízes do estudo são amargas, mas seus frutos são doces.". E permitam-me acrescentar: é preciso plantar para poder colher.


*Dailton Moura Reis é advogado, formado pela UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e pós-graduado em Direito e Processo Tributário pela EPD – Escola Paulista de Direito

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