ACM Neto venceu em Ibicaraí, mas o resultado abre uma pergunta inevitável: quanto dessa votação pode ser atribuída ao grupo da prefeita?
As urnas de 2026 deixaram um recado importante para a política de Ibicaraí. A prefeita Monalisa Tavares colocou seu grupo em campo e declarou apoio a ACM Neto para o Governo da Bahia, João Roma e Ângelo Coronel para o Senado, além de Paulo Azi e Tiago Correia para deputado federal e estadual.
No principal confronto local, ACM Neto terminou à frente de Jerônimo Rodrigues, com 6.768 votos, equivalentes a 51,77% dos votos válidos, contra 6.267 votos de Jerônimo, que ficou com 47,93%. Uma diferença de apenas 501 votos.
É um resultado que merece ser analisado sem euforia e sem maquiagem.
A vitória de ACM Neto é fato. A transferência de votos é outra história.
Em política, declarar apoio é uma coisa. Demonstrar força eleitoral própria é outra.
E é justamente aí que os números de Ibicaraí levantam questionamentos.
Em 2022, Paulo Azi recebeu 3.583 votos no município, enquanto Tiago Correia alcançou 3.832 votos.
Agora, com um grupo político municipal organizado e uma prefeita no comando da campanha, será preciso observar o desempenho individual dos candidatos apoiados e comparar com o histórico eleitoral.
Porque uma coisa é dizer que determinado candidato venceu.
Outra é perguntar: quanto dessa votação veio efetivamente da estrutura política da prefeita?
A urna não aceita discurso pronto
O resultado para governador mostrou uma disputa apertada em Ibicaraí. ACM Neto venceu, mas Jerônimo ficou a apenas 501 votos de distância.
E isso impede que qualquer grupo político transforme automaticamente o resultado em uma espécie de cheque em branco.
A eleição mostrou força, mas também deixou números para serem examinados.
Quem puxou quem?
Quanto o grupo de Monalisa conseguiu transferir?
Quais lideranças tiveram participação decisiva?
E, principalmente, os candidatos apoiados pela prefeita conseguiram repetir ou ampliar as votações que tinham construído anteriormente?
São perguntas legítimas depois de uma eleição.
O verdadeiro julgamento começa depois da comemoração
Aliados podem comemorar a vitória de ACM Neto em Ibicaraí — e o resultado está registrado nas urnas.
Mas transformar essa vitória em prova absoluta de hegemonia política municipal exige mais do que um percentual para governador.
A política de Ibicaraí é formada por vários grupos, lideranças e interesses. O voto é secreto e não permite atribuir individualmente cada voto a uma liderança.
Por isso, o resultado de 2026 deve ser lido com lupa, e não com discurso de palanque.
A eleição acabou. A conta política, não.
Agora começa a fase em que os números serão comparados, os apoios serão avaliados e cada liderança terá que explicar o tamanho real da sua força.
Em Ibicaraí, as urnas falaram.
E agora é hora de ouvir também o que os números estão dizendo
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