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Marcelo Nilo: Do homem mais poderoso da Bahia ao ostracismo das urnas

Bahia Expresso
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De sete mandatos na Assembleia Legislativa e dez anos no comando da AL-BA a apenas 17 mil votos: a eleição de 2026 pode ter colocado um ponto final na trajetória de um dos políticos mais poderosos da Bahia.



A política baiana costuma ser implacável com quem acredita que o poder é permanente. E a eleição de 2026 deixou um recado duro para Marcelo Nilo.
Aquele que durante anos foi considerado um dos homens mais poderosos da política baiana terminou a eleição para deputado federal com apenas 17.024 votos, aproximadamente 18 mil eleitores. O resultado o colocou na 4ª suplência do Republicanos e o deixou fora da Câmara dos Deputados na próxima legislatura.

É uma queda eleitoral difícil de ignorar.

Marcelo Nilo não é um novato. Pelo contrário. Construiu uma das trajetórias mais longas e influentes da política baiana. Foram sete mandatos consecutivos como deputado estadual e dez anos na presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, entre 2007 e 2017. Em 2014, chegou a alcançar impressionantes 148.690 votos para a Assembleia.
Em 2018, quando migrou para a disputa federal, também mostrou força: foi eleito deputado federal com 115.277 votos.

Mas a curva começou a despencar.

Em 2022, a votação caiu para 65.363 votos. Agora, em 2026, veio o tombo definitivo: 17.024 votos.
De mais de 148 mil votos em 2014 para pouco mais de 17 mil em 2026.

A matemática das urnas é cruel.

DE “HOMEM FORTE” A COADJUVANTE

Durante anos, Marcelo Nilo foi sinônimo de poder dentro da Assembleia Legislativa. Presidiu a Casa por cinco períodos consecutivos e chegou a assumir interinamente o Governo da Bahia em cinco ocasiões.
Era um político que tinha voz, grupo, aliados e capacidade de interferência no jogo político estadual.
Mas a força construída ao longo de décadas não conseguiu se transformar em votos em 2026.
E talvez seja justamente essa a maior mensagem do resultado.
A política mudou. Os grupos mudaram. Os aliados mudaram. E o eleitor também mudou.
Marcelo Nilo, porém, parece ter chegado ao fim de um ciclo.

UMA POLÍTICA MARCADA PELO CONFRONTO

Outro aspecto que marcou a trajetória de Nilo foi seu estilo político combativo.
Ao longo dos anos, o ex-presidente da Assembleia ficou conhecido pelos embates públicos, críticas e confrontos com adversários políticos. Em determinados momentos, esse estilo também provocou atritos dentro dos próprios campos políticos dos quais fez parte.
O problema é que aquilo que durante muito tempo podia ser interpretado como força e personalidade passou a cobrar uma conta política.
Na reta final de sua trajetória, Nilo acumulou conflitos e disputas que ajudaram a construir uma imagem de político permanentemente em confronto.
Em maio de 2026, por exemplo, protagonizou mais um episódio de enfrentamento ao afirmar que poderia lançar um candidato contra a prefeita de Antas caso ela permanecesse no grupo do governador Jerônimo Rodrigues.

A pergunta que fica é inevitável:

Até que ponto o estilo de confronto deixou de produzir força e passou a produzir rejeição?
Não é possível afirmar que sua votação tenha sido causada exclusivamente por esse comportamento. Eleição é resultado de inúmeros fatores. Mas o desempenho de 2026 mostra que o capital político acumulado durante décadas já não se converteu em votos como antes.

O ELEITOR DEU O RECADO

A diferença entre o Marcelo Nilo de 2014 e o de 2026 é gigantesca.

2014 — 148.690 votos.
2018 — 115.277 votos.
2022 — 65.363 votos.
2026 — 17.024 votos.

A queda não foi de uma eleição para outra. Foi uma sequência.

E quando uma trajetória apresenta quatro eleições com redução tão expressiva, não se trata apenas de um tropeço eleitoral.
Trata-se de um processo de perda de força.
Marcelo Nilo passou de protagonista a suplente.
De comandante da Assembleia a um nome que sequer conseguiu retornar à Câmara dos Deputados pelo voto.

O FIM DE UMA ERA?

Talvez seja cedo para decretar que Marcelo Nilo nunca mais disputará uma eleição.
Na política, portas que parecem fechadas podem voltar a se abrir.
Mas uma coisa é inegável: o Marcelo Nilo que saiu das urnas de 2026 é muito diferente daquele que dominava os bastidores da política baiana.

A eleição pode ter representado o fim de uma era.

O homem que durante anos esteve no centro das grandes decisões políticas da Bahia agora terá de conviver com uma realidade completamente diferente: a de um político que depende de uma eventual convocação para retornar à Câmara e que recebeu uma das menores votações de sua longa carreira.
A política não costuma avisar quando o ciclo está terminando.
Às vezes, quem dá o aviso é a urna.

E, em 2026, a urna falou alto.

Marcelo Nilo perdeu a eleição. Mas, acima de tudo, perdeu a dimensão eleitoral que um dia o transformou em um dos homens mais poderosos da Bahia.
O que resta agora é saber se haverá uma nova tentativa de reconstrução política  ou se os 17 mil votos de 2026 serão lembrados como o capítulo final de uma longa carreira.

Igor Pinto/ Redação Bahia Expresso
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