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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Temer diz que STF deve resolver anistia

Michel Temer defendeu ontem em Salvador que o STF seja o responsável por encontrar uma saída jurídica para o caso dos condenados pelos atos de 8 de janeiro

Por Henrique Brinco

O ex-presidente Michel Temer defendeu ontem em Salvador que o Supremo Tribunal Federal (STF) seja o responsável por encontrar uma saída jurídica para o caso dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Segundo ele, a solução deveria evitar novos atritos entre os poderes e dispensar a hipótese de anistia pelo Congresso. O político esteve na capital para a conferência magna de abertura da 3ª edição do Congresso Brasileiro de Direito e Sustentabilidade.
“Quem deveria resolver esse problema seria o próprio Supremo. O problema não é a punição, afinal houve depredação de prédios públicos, mas para evitar conflito seria melhor que a Corte utilizasse os instrumentos jurídicos já previstos no sistema. Assim, elimina-se a tese da anistia e se evita um novo choque entre Legislativo e Judiciário”, afirmou.
Questionado sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, Temer preferiu não se posicionar sobre os votos já proferidos. Ele destacou que tanto o ministro Alexandre de Moraes quanto o ministro Luiz Fux adotaram “posições processuais respeitáveis” e que é preciso aguardar a conclusão. “Muitas vezes a prova nos autos leva a convicções distintas. Vamos esperar o final do julgamento”, disse.
Sobre o futuro político, Temer defendeu a construção de um programa comum que unifique partidos de centro e direita antes da definição de um candidato para 2026. O ex-presidente citou que tem conversado com governadores e que vê no ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) um nome com perfil conciliador.
“Tarcísio é muito moderado, muito equilibrado, e o Brasil precisa disso neste momento. Ele trabalhou no meu governo, eu o conheço bem. Não foi feliz ao chamar Moraes de tirano, mas era o calor de um comício e também a tentativa de não se afastar do eleitorado bolsonarista”, avaliou.
Temer também comentou as disputas regionais e ressaltou que o MDB, partido que presidiu por 15 anos, deve seguir com sua tradição federativa, permitindo alianças locais distintas. “Sempre foi assim: o Norte e Nordeste seguem um caminho, o Sul e Sudeste outro. Mas, no Congresso, há uma certa unidade”, lembrou.
Sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Temer reconheceu a legitimidade de uma eventual candidatura à reeleição, mas ponderou que dependerá da saúde e da disposição política do petista. “É um direito estabelecido, mas cabe a ele avaliar se terá condições de disputar”, afirmou.
Em relação à política externa, o ex-presidente mostrou preocupação com as tensões comerciais e militares envolvendo os Estados Unidos. Para ele, falta diálogo ao governo brasileiro. “No meu tempo, eu teria ligado logo no primeiro dia para o presidente Trump. O diálogo conduz à solução”, disse.
Temer ainda comentou o papel do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Para ele, a atuação do parlamentar pode não ajudar nas relações bilaterais, mas é compreensível pelo vínculo familiar. “Ele defende a hipótese do pai, o que é natural. Pelo lado da relação Brasil-EUA, não é útil, mas entendo sua posição”, concluiu.

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