Documentos comprovam que Wandersson já era contratado da Prefeitura na época em que depôs no Ministério Público, mas omitiu essa informação.
O escândalo envolvendo a falsa denúncia prestada ao Ministério Público do Estado da Bahia, em 2024, pelo servidor Wandersson Araújo Ferreira, ganha novos contornos e coloca sob suspeita um possível esquema político mais amplo.
Segundo informações apuradas, Wandersson pode ter sido induzido por Erlon Botelho a formalizar acusações infundadas contra uma empresa supostamente envolvida na distribuição de cestas básicas em Jussari. Botelho, que já responde a denúncias de fraude contábil, documental e supostos desvios de recursos públicos, é investigado em um esquema que pode chegar a R$ 1 milhão — sendo R$ 500 mil oriundos do governo federal e R$ 500 mil da Prefeitura Municipal de Jussari.
O caso Wandersson
Em 9 de abril de 2024, Wandersson compareceu à Promotoria de Justiça de Buerarema e declarou que cestas básicas distribuídas em dezembro de 2023 continham alimentos vencidos. O inquérito (nº 56065/2024) foi instaurado, mas em 26 de março de 2025 foi arquivado pela promotora Caroline Vianna Longhi, que concluiu não haver provas suficientes para sustentar a acusação.
Contudo, documentos e registros de contratação comprovam que, na época do depoimento, Wandersson já era funcionário contratado da Prefeitura de Jussari. Essa informação foi omitida deliberadamente em suas declarações, já que ele se apresentou apenas como pedreiro e vaqueiro.
A omissão levanta um questionamento direto:
Por que ocultar o vínculo com a Prefeitura, justamente quando a denúncia atingia o próprio município?
Não foi caso isolado
Fontes locais apontam que, assim como Wandersson, outros indivíduos também podem ter sido induzidos por Erlon Botelho a prestar denúncias ou declarações falsas. A prática, se confirmada, revelaria um modus operandi de manipulação política e institucional, que combina:
uso de terceiros; apresentação de denúncias sem provas e desgaste de adversários políticos e gestores municipais.
Essa conduta, além de comprometer a credibilidade da Justiça, pode configurar crimes como denunciação caluniosa (Art. 339 do Código Penal – pena de 2 a 8 anos de reclusão) e comunicação falsa de crime (Art. 340 – pena de 1 a 6 meses de detenção ou multa).
Perguntas que ficam no ar
O arquivamento do inquérito e a revelação de que Wandersson omitiu seu vínculo com a Prefeitura levantam novas dúvidas:
Será que o ex-prefeito de Jussari tinha conhecimento de que a denúncia havia sido apresentada ao Ministério Público?
Será que ele sabia que se tratava de uma denúncia frágil, sem provas concretas?
Teria o ex-gestor participado, direta ou indiretamente, da articulação para que um servidor municipal levasse ao MP uma acusação que se mostrou uma falsa denúncia?
Até o momento, nenhuma dessas perguntas foi respondida de forma oficial.
Cobrança de posicionamento da Prefeitura
O episódio coloca a Prefeitura Municipal de Jussari em evidência e gera cobrança por parte da sociedade:
O servidor Wandersson Araújo Ferreira continuará exercendo funções públicas?
Será instaurado processo administrativo disciplinar para apurar a conduta?
Que medidas serão adotadas para impedir que o serviço público seja usado em manobras fraudulentas de interesse político?
Nota da Redação:
O site Falando com Autoridade reafirma seu compromisso com a verdade e a transparência. Este espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Jussari, do ex-prefeito, de Erlon Botelho e do próprio Wandersson Araújo Ferreira, garantindo o contraditório e o direito de resposta.
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