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Empresa de bitcoin é investigada pelo Ministério Público e pela CVM por possível pirâmide financeira

A GAS Consultoria Bitcoin tem sede em Cabo Frio, novo paraíso das empresas de criptomoedas, e também é alvo de investigação pela Polícia Federal.

Por Felipe Freire, Leslie Leitão, Lívia Torres e Marco Antônio Martins, G1 Rio e TV Globo


O dono da GAS Consultoria Bitcoin, Glaidson Acácio dos Santos, virou o alvo número um do Ministério Público, da Comissão de Valores Mobiliários e também da Polícia Federal em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. A empresa de Glaidson tem o maior número de investidores na cidade, que se tornou o paraíso dos golpes do tipo pirâmide financeira e ganhou até apelido de "novo Egito".
Glaidson promete lucros de 10% ao mês nos investimentos em criptomoedas, mas sua empresa não tem site, rede social e o telefone disponível na Receita Federal não funciona.
A empresa foi alvo de uma denúncia há dois anos no Ministério Público por possível prática de pirâmide financeira disfarçada de aplicação em bitcoins (entenda os riscos de investir na moeda digital).
Um outro inquérito foi aberto contra a GAS depois que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também informou ao Ministério Público sobre a suspeita de que a empresa pratica pirâmide.
A economista Myrian Lund, da Fundação Getúlio Vargas, explica que as operações financeiras só são válidas se estiverem cadastradas no Banco Central ou na CVM, e alerta que aplicações que prometem rentabilidade alta demais, muitas vezes, não se sustentam.
“Qual é a característica da pirâmide? Entra dinheiro e esse dinheiro serve para pagar as pessoas. Ele se retroalimenta. No momento em que parar a entrada de dinheiro, aquilo acabou naquele momento. Se você recebeu, ótimo. Se não recebeu, não vai ter mais nada de volta”, diz.
Em nota, a defesa Glaidson informou que está a disposição das autoridades todo e qualquer esclarecimento. "A G.A.S de Glaidson Acácio que atua no ramo de tecnologia e consultoria financeira em criptomoedas, não compactua com ilegalidades e preza pela licitude de todas as suas operações", diz a nota.

De garçom a milionário

Uma investigação por lavagem de dinheiro foi aberta, mas em depoimento à polícia, o empresário negou mexer com criptomoedas. Disse que atua com inteligência artificial, tecnologia da informação e produção de softwares.
Já para os clientes, Gladson diz que investe no ramo das criptomoedas há nove anos. Mas um registro do Ministério do Trabalho mostra que até 2014, ele recebia pouco mais de R$ 800 por mês como garçom.

Festa com show de João Gabriel

Com a nova empresa, Glaidson conseguiu ascensão e acumulou fortuna. Em abril desse ano, mais de R$ 7 milhões foram apreendidos em Búzios, balneário vizinho a Cabo Frio. O dinheiro estava em três malas e seria levado para São Paulo por um casal que trabalha para empresa dele.
A casa do empresário, em Cabo Frio, é avaliada em R$ 9 milhões, tem segurança e carros de luxo na porta.
Em fevereiro desse ano, Glaidson fez festa de aniversário com direito a show do cantor João Gabriel.
Além da GAS Consultoria Bitcoin, pelo menos dez empresas que oferecem investimentos com lucro alto e rápido na cidade são alvo de investigação.
No mesmo condomínio de Glaidson vive Nilson Alves, dono de uma outra empresa que prometia lucro de 15% aos clientes. Em março, Nilson foi baleado dentro de um carro de luxo, ficou cego e paraplégico.
A defesa de Glaidson Acácio dos Santos não respondeu ao contato da reportagem. Os representantes do cantor João Gabriel classificaram a participação dele no aniversário de Glaidson como normal, e afirmaram que os dois se conheceram naquele dia

Fantástico tem acesso a mais denúncias da cidade que virou paraíso de promessas de riqueza  

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