ÚLTIMAS NOTÍCIAS

“CONTRA SPEM IN SPEM”.



Adroaldo Almeida. *

No Capítulo 4, versículo 18, primeira parte, da Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos, ele diz: “Ele tinha fé esperando contra toda a esperança...”, é o título – em latim - que me socorro para estas linhas de grandes esperanças em face da tragédia que se abateu sobre a terra nesta quadra terrível da nossa época. Desejo ardentemente, após atravessar para o outro lado, quando desembarcar da canoa piedosa que me for permitida tripular, estando, então, em um novo mundo, possa ao olhar para trás e enxergar o velho normal, envergonhar-me das injustiças que pratiquei, das mesquinhas disputas em que me coloquei, da existência vazia e pequena que me rodeava e aos meus contemporâneos também, a todos nós que quase desperdiçamos uma vida para descortinar o óbvio. E assim, por sortilégio da misericórdia, quando chegar à recente circunstância do novo agora, seguir em frente como quem nasceu de novo, renovado pelas lições que sempre soubemos, mas costeávamos indiferentes: a solidariedade, a mansidão no recesso, e o coração simples e humilde no passeio público.
Quando terminei de escrever o parágrafo acima, me perguntei: “E agora, José? Você vai dar conta disso? Ou é só mais uma intenção? ” Honestamente, não sei. A luta é grande. Mas, ainda que seja apenas um propósito, algo se moveu dentro de mim na direção do melhor, em busca da felicidade humana, além da minha individualidade. Certamente, amansou-se a vaidade e repousou a ambição, o discurso correu ao encontro da prática, a atitude deseja superar as crenças, enfim, aquelas coisas tão redundantes, evidentes, as platitudes, o uniforme do mundo, o comum, o ordinário que a gente sabia, porém não fazia.
Alfim, uma última questão: para que serve mesmo este texto, se todos, em ocasiões de aflição, prometemos mudar, para em seguida, passado o susto, retornar à pessoa horrível de sempre? Serve apenas para te lembrar que você prometeu, você fez um juramento. E não foi numa simples ressaca do réveillon, foi no meio de uma pandemia que nos ameaçava matar a todos. Portanto, acorda, levanta e vai tomar seu café amargo para te curar definitivamente.

* Adroaldo Almeida é advogado e escritor.

Nenhum comentário