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Dra. Mabel Andrade faz desabafo diante demissão expedida em Ibicaraí


Em minha carreira de médica me deparo com algumas situações que me desanimam. Fui chamada para ser Plantonista no hospital de Ibicarai, que entre os médicos , tem uma péssima fama de pagar muito abaixo do valor normal , desvalorizando nosso trabalho . Ainda assim fui. 
Por onde passo sou conhecida como “ chata” , mas somente por aqueles que fingem trabalhar , porque quem “ chega junto” , normalmente não me quer longe . Sou do tipo que faço meu trabalho com amor , humanizado , comprometida , não falto, não chego atrasada, trato pacientes como se fossem conhecidos . E cobro da secretaria de saúde atitudes. Além
Disso , como neurologista , trouxe pela primeira vez na história do município , um atendimento de Neurologia pelo SUS. Recebi várias visitas de vereadores nos meus plantões elogiando meu trabalho . Nunca na minha carreira fui demitida, pelo contrário, quando acho propostas melhores , deixo sempre uma porta aberta para retornar . 
Fui orientada a trabalhar no município por uma missionária da igreja que é amiga da família, pelo fato do gestor e sua esposa também ser evangélicos . Mas me deparei com alguns absurdos que a população precisa saber . Me deparei com um
Salario vergonhoso .Andando aí do lado em st Cruz da vitória , floresta azul, itape, barro preto já podemos ver a discrepância nos valores dos salários . Me deparei com pacientes internatos por 60 a 90
Dias com apenas uma pendência para resolver seus problemas , um simples torpedo de oxigênio, ou às vezes um exame que custa 90 reais mas que ninguém resolve . Me deparei com paciente vítima de parada cardíaca , onde me envergonhei por estar naquele local , porque o desfibrilador não funcionava, o ambu para ventilar não funcionava , o tubo para entubar fora da validade , entre outros absurdos . Registrei tudo isso em livro de ocorrência , que provavelmente irá sumir a partir desse momento , mas eu tirei uma cópia , além de comunicar as diretorias de enfermagem e administrativa . Nada foi feito . 
Em meio à tantas coisas realmente sérias , não prezando pela qualidade , mas sim pelo poder , a primeira dama esteve presente em meu último plantão . Por volta das 21hs, primeiro fez p guarda abrir as portas do fundo , já trancadas esse horário por questão de segurança , mas a mesma não queria entrar pela porta da frente e ser vista . Exigiu que a enfermeira fizesse um trabalho fora da obrigação Dela, que foi olhar a pressão da primeira dama dentro do seu carro . Neste momento fui informada que a mesma estava no hospital para ser atendida , desci para o consultório imediatamente para atende-la , porque é lá que atendemos TODOS os pacientes . Por questão de estrutura, e higiene . Haviam 2 únicos pacientes nesse momento aguardando . Aguardei A primeira dama Alessandra para o atendimento , quando fui informada que a mesma foi embora e se recusou a ser atendida no consultório onde as outras pessoas são atendidas. 
Em toda minha carreira nunca vi nada parecido , atendo nos hospitais prefeitos , pai de prefeito , filhos , todos com muita humildade . No dia seguinte o prefeito ligou para o hospital para confirmar se neguei mesmo “ atendimento especial “ a primeira dama , e imediatamente emitiu minha demissão. Sem se preocupar com a qualidade do meu serviço , que pode ser provado pelos pacientes e equipe , mas sim em abuso de poder. Em conversa com a mesma , foi totalmente contraditoria, primeiro disse que estava com uma roupa inapropriada , porém estava acompanhada de dois homens , o secretário de financias e um outro que não conheço . Tenho certeza que a equipe e os dois únicos pacientes ali , não iriam olhar sua roupa . Depois mudou a conversa e disse que não foi para ser atendida por mim, mas foi esse o recado que a enfermeira me deu , e foi essa a pergunta que o prefeito no dia seguinte fez antes de me demitir . 
Não fiquei revoltada com o emprego, apesar de gostar muito da equipe, mas é uma região onde não investe na saúde e torna praticamente impossível realizar um bom trabalho , mas me chateei com o absurdo que foi a situação , Ainda mais vindo de pessoas evangélicas , que há pouco tempo não tinham absolutamente nada . Mas já com poucos meses abusam
Do poder dessa forma ao invés de se preocupar com o que realmente é importante , como o material em casos de parada cardíaca que faltam, ou exames de valores irrisórios que mantém pacientes por meses internados. Não adianta visitar assentamentos , fazer um trabalho “ social “ , se na oportunidade que tem, abusa de um poder que aliás, não tem . Digo , que graças a Deus , prefeitura passa, uns 4 a 8 anos no máximo , mas eu, devido à todo meu estudo e esforço , permaneço médica e neurologista pelo resto da minha vida . E continuo a fazer meu trabalho , de forma particular no município . O caso será devidamente denunciado ao Ministério público.

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