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A obscura origem do projeto que acabou com o Arrastão da Quarta de Cinzas

Foto: Reprodução Instagram/Politica Livre



Vereador Henrique Carballal comemora a repercussão nacional da proposta aprovada pela Câmara Municipal


Há consenso na Câmara Municipal de Salvador de que o projeto de autoria do vereador Henrique Carballal (PV) que acabou com o arrastão da Quarta-feira de Cinzas coloca um dilema político, com reflexos de imagem, para ACM Neto (DEM).
Assim como que o conflito poderia não ter tomado a direção do gabinete do prefeito, caso seus representantes na Casa tivessem permanecido mais vigilantes em relação às propostas dos vereadores, que, na gestão do presidente Geraldo Jr. (SD), vêm se tornando, ao que parece, cada vez mais “criativos”.
Trata-se de uma referência, naturalmente, ao líder do prefeito na Casa, o vereador Paulo Magalhães (DEM), a qual não deixa de lembrar também o autor da proposta, sucedido pelo democrata na liderança do executivo na Casa, portanto, também um governista.
O mais curioso, no entanto, é a informação recente de que a Igreja Católica, apontada como a maior interessada na matéria, teve pouco ou nenhum papel na concepção do projeto apresentado pelo autor da iniciativa mais polêmica da Câmara nesta legislatura.
A tese é corroborada pelo fato de não ter havido até hoje um posicionamento sequer, nem antes de a matéria ser proposta, da parte dos representantes religiosos em defesa da proposta de Carballal.
Neste meio tempo, pelo contrário, a versão que passou a correr na Praça Municipal, espaço em que se situam tanto a Prefeitura quanto a Câmara, é de que a medida exporia uma divergência entre os segmentos econômicos que mais lucram com a festa.
O setor que não ganha nada com a extensão do Carnaval em mais um dia, uma tradição de décadas na história do evento mais popular do planeta, estaria pleiteando a mudança. Sem querer colocar a cara para bater, estaria confortabilíssimo com a atribuição da idéia à Igreja.
Verdade ou não, o fato é que o projeto criou um dilema para o prefeito com o qual seus assessores não contavam. A oposição na Casa avalia, por exemplo, que talvez seja a medida que possa lhe impor mais desgaste, entre tantas cascas de banana das quais conseguiu se desvencilhar nos últimos dias.
Quanto ao vereador, que nunca foi religioso, tendo tido sua formação política no ateu PCdoB, comemora a repercussão da proposta, que já lhe rendeu espaços nos principais jornais de circulação nacional.

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