O desempenho do ex-prefeito de Salvador nas pesquisas eleitorais de 2022 mostra como uma liderança aparentemente consolidada pode enfrentar uma realidade completamente diferente diante das urnas.
.jpg)
Na política, pesquisa eleitoral pode apontar tendências, medir cenários e revelar o humor do eleitorado. Mas existe uma diferença fundamental entre liderar uma pesquisa e vencer uma eleição: a pesquisa pergunta, a urna decide.
A trajetória de ACM Neto na eleição para o Governo da Bahia, em 2022, tornou-se um exemplo emblemático dessa diferença.
Meses antes da votação, o então candidato do União Brasil aparecia com ampla vantagem sobre seus adversários. Em agosto daquele ano, levantamento Datafolha apontava ACM Neto com 54% das intenções de voto, contra 16% de Jerônimo Rodrigues. Em outro levantamento do Ipec, Neto aparecia com 56%, enquanto Jerônimo tinha 13%.
O cenário alimentava a expectativa de uma vitória tranquila e, em alguns momentos, até de uma eleição decidida no primeiro turno.
Mas a campanha avançou, o cenário mudou e a distância diminuiu.
Na reta final do primeiro turno, embora ACM Neto ainda liderasse as pesquisas, a vantagem já era menor. O Datafolha divulgado às vésperas da votação apontava 51% dos votos válidos para Neto contra 38% para Jerônimo. Ainda assim, o resultado não se confirmou nas urnas da forma prevista pelos levantamentos: a disputa foi para o segundo turno.
A segunda etapa da eleição mostrou ainda mais claramente como uma campanha pode mudar de rumo.
Com o eleitorado novamente diante da escolha entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues, os números passaram a indicar uma disputa muito mais equilibrada. Na pesquisa Ipec realizada entre 27 e 29 de outubro, Jerônimo aparecia com 48% e ACM Neto com 47%.
No dia da votação, foi Jerônimo quem venceu a eleição.O passado como alerta para 2026
Quatro anos depois, a experiência de 2022 volta a ser lembrada nos bastidores da política baiana. ACM Neto continua sendo um dos principais nomes da oposição ao grupo governista, mas o episódio de 2022 deixou uma mensagem que não pode ser ignorada: liderança em pesquisa não significa vitória garantida.
Uma eleição é formada por vários fatores: rejeição, transferência de votos, alianças, mobilização política, campanha de rua, desempenho nos debates, capacidade de comunicação e, principalmente, a decisão do eleitor diante da urna.
Por isso, números divulgados ao longo de uma campanha precisam ser analisados com cautela.
A fotografia de hoje pode ser completamente diferente da fotografia do dia da eleição.
A urna é o verdadeiro instituto de pesquisa
O caso ACM Neto em 2022 também serve para lembrar que eleições não são vencidas antecipadamente.
Naquele ano, o ex-prefeito de Salvador chegou a aparecer com vantagens superiores a 30 pontos em alguns levantamentos. No entanto, a disputa mudou à medida que a campanha avançou, até chegar a um segundo turno extremamente competitivo.
A grande questão para 2026, portanto, não é apenas quem aparece na frente nas pesquisas.
É saber quem conseguirá transformar intenção de voto em voto efetivo.
Porque, no fim das contas, existe apenas uma pesquisa que não admite margem de erro: aquela realizada dentro da cabine de votação.
E essa pesquisa tem um resultado que não pode ser contestado por tendência, percentual ou projeção: o resultado das urnas.
Redação Bahia Expresso
Redação Bahia Expresso