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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Peixe de Ibicaraí vira alvo de críticas por qualidade, quantidade e suspeita de favorecimento político

Moradores questionam kits enxutos, peixe congelado há meses e denunciam distribuição desigual com base em alinhamento político.


Informações colhidas no Grupo Ibicarai.

A distribuição dos kits alimentares da Semana Santa pela Prefeitura de Ibicaraí tem gerado uma onda de críticas entre moradores, que apontam problemas na qualidade dos produtos, na quantidade ofertada e até na forma como os itens estariam sendo distribuídos.
O kit entregue inclui um quilo de peixe congelado em posta (corvina), um quilo de arroz, leite de coco, azeite de dendê e uma goiabada. O pescado, segundo informações da embalagem, foi produzido em agosto de 2025 e tem validade até 2027 — o que indica que já estava congelado há cerca de sete meses no momento da entrega.
Embora o prazo de validade esteja dentro do permitido, a condição do armazenamento e da logística de distribuição levanta preocupações. Moradores relataram ter recebido peixe com aparência duvidosa e sinais de possível má conservação, o que acende um alerta para riscos sanitários, especialmente em ações de grande escala que exigem controle rigoroso da cadeia de frio.
Outro ponto que gerou insatisfação foi a quantidade considerada insuficiente. Um quilo de peixe, em muitos casos, não atende famílias maiores, reduzindo o impacto real da ação. A inclusão de itens como goiabada também foi questionada, já que não é considerada essencial do ponto de vista nutricional, sobretudo em um contexto de assistência social.
Além das críticas ao conteúdo, surgiram denúncias sobre possível direcionamento político na distribuição das chamadas “fichas do peixe”, necessárias para retirar o kit. Segundo relatos enviados ao Grupo Ibicaraí, pessoas supostamente ligadas à oposição teriam enfrentado dificuldades para acessar o benefício, levantando suspeitas de uso político da ação.
A iniciativa ocorre após a publicação dos contratos nº 19/2026 e nº 20/2026, que somam mais de R$ 263 mil para aquisição dos alimentos. As empresas fornecedoras são as mesmas do ano anterior, o que reacende questionamentos sobre o processo de contratação, já criticado anteriormente por inconsistências formais.
Diante do valor investido e das críticas crescentes, moradores cobram mais transparência da gestão municipal, especialmente quanto ao custo por kit, critérios de distribuição e garantias sobre a qualidade dos alimentos entregues.
Para parte da população, a ação acaba tendo caráter mais simbólico do que efetivo: cumpre o ritual da Semana Santa, mas deixa dúvidas sobre sua real capacidade de atender, com dignidade, quem mais precisa.

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