Prefeitura de Ibicarai tenta responsabilizar servidora, mas documentos expõem falhas graves de gestão em Ibicaraí - Bahia Expresso

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Prefeitura de Ibicarai tenta responsabilizar servidora, mas documentos expõem falhas graves de gestão em Ibicaraí

Falta de transparência e ausência de provas fragilizam versão oficial e indicam falhas estruturais na condução do convênio






A tentativa da Prefeitura de Ibicaraí de jogar nas costas de uma única servidora a culpa pela perda de um convênio milionário não apenas carece de provas, como levanta indícios claros de desorganização, improviso e possível uso político de decisões administrativas.
Ao responsabilizar publicamente a técnica Moema Conceição Scher, a gestão municipal aposta em uma narrativa frágil, sem apresentar qualquer documento que comprove, de forma objetiva, a falha individual da profissional. Trata-se de uma acusação grave — e, até aqui, vazia.
Os próprios documentos oficiais do convênio desmontam essa versão. O processo exigia uma engrenagem complexa, envolvendo setores estratégicos como engenharia, assistência social e o alto escalão da prefeitura, incluindo assinaturas obrigatórias de autoridades. Não há qualquer lógica administrativa em tentar transformar esse tipo de operação em responsabilidade exclusiva de uma única técnica.
Na prática, o que os fatos indicam é um cenário muito mais preocupante: falhas na coordenação interna, descontinuidade na condução do projeto após a saída de uma consultoria e equipes despreparadas para lidar com exigências técnicas de alto nível.
A carta aberta de Moema, ao contrário da versão oficial, apresenta detalhes, prazos e aponta falhas concretas — como atraso na entrega de documentos essenciais por parte da engenharia e ausência de assinaturas obrigatórias dentro do prazo. Informações que, até o momento, não foram desmentidas com provas pela prefeitura.
Enquanto isso, a gestão se limita a declarações genéricas e ainda comete erros básicos, como a divergência no valor do próprio convênio — um detalhe que expõe, no mínimo, desinformação interna sobre um processo que deveria ser tratado com prioridade absoluta.
O episódio deixa claro um padrão preocupante: diante de um problema coletivo, busca-se um bode expiatório. Em vez de transparência, apuração técnica e responsabilização correta, o que se vê é uma tentativa apressada de controlar a narrativa e reduzir o desgaste político.
Mais do que a perda de recursos, o caso escancara um modelo de gestão que falha no planejamento, na execução e, principalmente, na capacidade de assumir responsabilidades.
Se a prefeitura realmente pretende esclarecer o ocorrido, o caminho é simples: apresentar documentos, protocolos e provas. Fora isso, qualquer discurso não passa de tentativa de encobrir um problema muito maior.
No fim das contas, a pergunta que fica não é quem errou sozinho — mas quem está tentando esconder o erro de muitos.






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