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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Prisão domiciliar de Bolsonaro transforma condomínio em reduto bolsonarista

Apoiadores se mobilizam em defesa do ex-presidente, enquanto moradores relatam brigas e tensão no Solar de Brasília após 100 dias de reclusão.



Por Guilherme Caetano, do Estadão

“Maria Amélia, vem aqui, que a coisa tá ficando feia”. Maria Amélia Campos já sabia do que se tratava quando ouviu os funcionários gritarem da calçada. Ela espiou a rua pela janela, largou o que estava fazendo e foi para o WhatsApp. “Corre pra cá, gente, corre pra cá”, distribuiu a mensagem em vários grupos.
Os reforços de Maria Amélia logo chegaram. Sempre que um detrator de Jair Bolsonaro (PL) protesta contra o ex-presidente em frente ao condomínio Solar de Brasília, os grupos de moradores e apoiadores se atiçam. Naquele dia, 2 de setembro, começaria o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que terminaria por condená-lo, e petistas tinham inflado um boneco do ex-presidente com roupa de presidiário, junto a uma faixa: “Bolsonaro na cadeia”.
“Eu pegava o carro, (passava) e xingava os petistas. Mobilizamos muita gente. Quando tem alguma ação para difamar a imagem do Bolsonaro, a gente não permite. Pô, você quer fazer manifestação? Vai pra Esplanada”, diz Maria Amélia, escolhida vice-presidente do PL Mulher no Distrito Federal pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, dada a proximidade com a família.
Dona de uma das confeitarias mais renomadas da capital federal, Maria Amélia tem atenção especial na unidade que fica em frente ao condomínio Solar de Brasília, no bairro Jardim Botânico. É lá que Bolsonaro mora.
Ontem, o ex-presidente completou 100 dias de prisão domiciliar imposta pelo ministro do STF

 Alexandre de Moraes, por ter descumprido medidas cautelares.

A prisão domiciliar de Bolsonaro tem gerado transtornos para a vizinhança. Moradores relatam brigas no grupo de WhatsApp do condomínio e o aumento da tensão em episódios como o do julgamento no STF. O mecânico Vinícius Scucato, que costuma autorizar jornalistas a passar pela portaria, sofre um processo de expulsão do condomínio motivado, segundo ele, pelas brigas que tem arranjado com a administração.
“Tem muito morador brigando. Tem uns que apoiam (Bolsonaro), e outros não. Já fizeram até reunião para tentar expulsar o Bolsonaro. Mas o administrador disse que não ia entrar nessa briga”, diz Scucato.

Centro gravitacional bolsonarista

O Solar de Brasília se tornou uma Meca do bolsonarismo desde 4 de agosto, data da prisão. É para onde as principais lideranças da direita brasileira vão quando precisam de orientação ou bênção para tomar alguma decisão, uma vez que Bolsonaro não pode pisar na calçada sem autorização judicial — a não ser por emergência médica.
Nos últimos 100 dias, Moraes concedeu autorização para ao menos 72 autorizações para 61 pessoas visitarem o ex-presidente em casa, segundo levantamento do Estadão, com exceção de médicos, advogados e familiares, que não precisam de aval. O grupo de oração de Michelle, composto por 16 pessoas, tem conseguido aceite para ir toda quarta-feira à noite à casa.
Houve 34 autorizações para parlamentares (quase metade, 47,2%), seis para dirigentes e pessoas ligadas ao seu partido (8,3%), quatro para governadores e vice-governadora (5,5%) — apenas o de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), e a vice do Distrito Federal, Celina Leão (PP), foram visitá-lo. O resto se divide entre amigos, empresários, ex-ministros, pastores e comunicadores.

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