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Patrimônio declarado por ex-assessor de Geddel e Lúcio não correspondia ao salário recebido em quase 30 anos

Preso em domicílio por ter suas digitais encontradas em malas e caixas dos R$ 51 milhões apreendidos pela Polícia Federal em Salvador, o ex-assessor da família Vieira Lima, Job Ribeiro Brandão, revelou, em petição protocolada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (7), que devolvia 80% do seu salário aos chefes peemedebistas. Antes disso, a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o ministro Edson Fachin, relator do caso no STF, já estranhavam o patrimônio declarado pelo assessor.
Os desencontros começaram a aparecer quando Job Ribeiro Brandão teve sua prisão domiciliar decretada por Fachin e argumentou que não tinha dinheiro para pagar sua fiança de quase R$ 100 mil. Por isso, o assessor pediu a redução do valor arbitrado para um patamar que ele pudesse pagar. De acordo com despacho do ministro Fachin datado de 31 de outubro, Job RIbeiro Brandão alegou que o valor da fiança era "quase dez vezes sua renda mensal e quase três vezes o seu patrimônio".
Em depoimento à PF, o homem de confiança dos Vieira Lima relatou que desde 21 anos de idade trabalha como assessor para os políticos da família. Como nasceu em 1968, ficou entendido que ele estava com o grupo há pelo menos 28 anos.
Foi ao analisar a situação financeira de Job Ribeiro que Fachin apontou as suspeitas: "Na última declaração de ajuste anual de imposto de renda, ele declarou patrimônio de R$ 31.100,59 no final de 2016. Ademais, nega ter cônjuge ou companheiro (a), dependentes e pagamentos de pensão. Para aferir a veracidade das declarações de Job Ribeiro Brandão, a Assessoria de Pesquisa da PGR (SPEA/PGR) procedeu ao seu levantamento patrimonial declarado. O sistema do Ministério do Trabalho e Previdência Social revelou que ele é servidor da Câmara dos Deputados desde 14/02/1989. Suas remunerações líquidas mensais no ano de 2017 foram R$ 14.334,28. O rastreamento societário pesquisado em sistemas dos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior não revelou o CPF de Job ligado a qualquer quadro de sociedade empresarial. Finalmente, ele não possui registrados em seu CPF imóveis urbanos, rurais e sequer automóveis".
"Pois bem. Analisando-se suas declarações de imposto de renda, o resultado da pesquisa patrimonial feita pela PGR e o valor líquido de R$ 14.334,28 de seu salário sugerem que a situação de alguém, servidor público há 28 anos, remunerado ao longo desse período pelo equivalente há mais de quatorze mil reais, sem filhos ou dependentes, seria de patrimônio acumulado superior ao pouco mais de vinte mil reais que ele declara. O senso comum e o exercício das máximas de experiência sugerem a probabilidade de que Job Ribeiro Brandão oculte patrimônio pessoal dos órgãos oficiais", explanou o ministro relator. 
Para apurar a situação financeira relatada, a assessoria da PGR contatou os policiais federais responsáveis pelo cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa do ex-assessor para ver se havia sinais de riqueza. "As informações ainda não oficiais, até mesmo pelo tempo recente daquela busca, são as de que se trata de local simples em que cada membro da família ocupa um pavimento", ressaltou Fachin, que se convenceu, naquele momento, pela redução da fiança pela metade para o ex-assessor.

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